O que o crowdfunding pode fazer pelo empreendedorismo brasileiro?

O que o crowdfunding pode fazer pelo empreendedorismo brasileiro?

(originalmente publicado em 13 de outubro de 2016, via Empreendajunto.com)

É muito interessante e motivador observar que, mesmo diante da crise que se abala sobre o país, o segmento empreendedor brasileiro mantém sua trajetória de ampliação das oportunidades Brasil afora.

Porém, de forma igualmente preocupante, o mercado de fomento e de investimentos no Brasil se retraiu muito, especialmente pela ausência de medidas claras do Governo que demonstrem um cenário futuro de recuperação. Com isso, instituições financeiras e investidores institucionais adotam como medida principal “conter” investimentos, o que, na ponta final da linha, prejudica exatamente esses potenciais novos talentos em tornarem suas ideias realidade. Sem crédito, tudo fica mais difícil de ser estruturado!

Uma das alternativas mais prósperas, rápidas e acessíveis a todos os empreendedores brasileiros é o uso do financiamento coletivo, ou “crowdfunding”, para validar sua ideia de negócio e, porque não, obter financiamento praticamente a custo zero ou muito abaixo das taxas do mercado “tradicional”.

O que gostaríamos de sinalizar, para os empreendedores, é exatamente o segmento de plataformas (websites) direcionadas para o investimento em empresas iniciantes, as chamadas startups.

São as plataformas de “equity crowdfunding” e que tem por principal objetivo ligar investidores e empreendedores que precisam financiar suas ideias e apresentar, no médio e longo prazo, bons resultados e em troca, dar uma participação empresarial aos financiadores. Mundo afora esse segmento encontra-se altamente especializado e profissionalizado. Já no Brasil, ainda precisa de alguns refinamentos legais, mas ja temos condições de obter excelentes frentes de investimento com um custo bem viável.

Em resumo, essas plataformas disponibilizam o site delas para que o empreendedor possa divulgar sua ideia de negocio. Apos passar por um processo de avaliação feito pela equipe do site (que em geral se preocupa em verificar se o ideia tem um mínimo de viabilidade comercial, inovadora e escalável, além de se certificar que o empreendedor será capaz de cumprir com o prometido), lançam online as paginas dos projetos, contando ou não com um investidor ancora (sindicato ou mentores), que aumenta a credibilidade e traz segurança aos investidores menores.

Riscos calculados e baixa resistência à inovação fazem do mercado brasileiro um potencial crescente de oportunidades.

Apos a rodada de investimentos (ou o que chamamos no jargão de “fim da campanha”), os fundos são transferidos ao empreendedor, que então devera providenciar toda a documentação legal para dar amparo e segurança aos investidores, especialmente quanto a participação empresarial. No Brasil, os tipos empresariais são bem definidos, e em geral, os empreendedores que atingem as metas de lançamento do site irão ceder uma participação empresarial que será convertida em ações da futura empresa. Esses títulos garantem, em certa medida, o investimento do financiador, apesar de ainda representarem um cenário de risco como qualquer outro tipo de investimento em empresas iniciantes.

Com esse formato, dezenas de empresas inovadoras podem contar com financiamento rápido, barato e bem estruturado para suas ideias, sem ficar dependendo diretamente de bancos e fundos de investimento. Essas estruturas, maiores e mais burocráticas, além de levarem muito tempo para analisar qualquer tipo de plano de negocio, nem sempre o fazem com a devida atenção, e criam no empreendedor uma expectativa muitas vezes frustrada quanto ao engajamento com sua ideia.

Uma das maiores vantagens desse modelo inovador e alternativo de investimento esta no envolvimento quase simbiótico entre os financiadores e o empreendedor, os quais querem firmemente que a ideia seja promissora, e em geral, ajudam com seu networking e expansão de mercados daquele produto ou serviço. É uma das poucas formas de financiamento social que conta exclusivamente com o poder da multidão, sem depender diretamente de qualquer agente financeiro próprio.

Segundo dados do relatório Global Entrepreneurship Monitor 2016produzido pela Babson College dos Estados Unidos, apenas 0,9% dos empreendedores brasileiros recorrem ao crowdfunding como forma primaria de financiamento dos novos negócios.

Ademais, os sites que atuam no segmento de “equity crowdfunding” integram uma parcela fortíssima do movimento “fintech” (uso da tecnologia para o mundo das finanças e desbancarização) que esta cercando as instituições financeiras tradicionais, e tornando o acesso ao credito e aos investimentos mais democrático, barato, rápido e efetivo.

Falta de legislação e regras claras ainda mantém bons investidores afastados das oportunidades disponíveis. Mas por pouco tempo!

No Brasil, ainda por ausência de legislação apropriada, esses tipos de participações e projetos em financiamento de novas empresas conta somente com uma instrução normativa da CVM — Comissão de Valores Mobiliários, no que tange a dispensa ou não de apresentação de alguns requisitos exigidos pela Lei das Sociedades Anônimas. Contudo, já está no ar uma Consulta Publica para implantação de uma Instrução robusta, moderna e inovadora nesse campo, e os que estiverem preparados poderão, sem dúvida, beneficiar-se muito dos instrumento legais que estão sendo criados.

Some-se a isso que, com a nova legislação aprovada para as Micro e Pequenas Empresas, que começara a valer ja em 2017, abre-se um cenário nunca antes visto no mercado empreendedor nacional, mesmo diante de tantas interrogações perante o mercado brasileiro.

Se você é empreendedor, busque mais informações sobre crowdfunding e financiamento coletivo para sua empresa. Uma ideia viável e um mercado ávido por boas opções de investimento aguardam você!

About viniciuscarneiro

Advogado, gestor contabil, escritor, especialista em Direito Empresarial, em Direito Eletronico, Controlador Geral Municipal,

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