O fim de uma era no Financiamento Coletivo

Como as crises de saude e financeira redesenharam nossa forma de ajudar, financiar e investir.

Há quanto tempo não se houve falar sobre financiamento coletivo na sua timeline?

Não sei você, mas eu confesso que tenho visto bem menos notícias sobre o assunto do que gostaria. Afinal, em tempos como os atuais, seria natural que muitas pessoas estivessem utilizando essa forma de acesso à pessoas e redes sociais mais do que o normal.

Porém, o que temos visto é um fenômeno bem diferente!

De um lado, vemos a consolidação das plataformas que se estruturaram para permenecer no mercado. Com as regulações impostas por alguns órgãos governamentais, ficou mais custoso para os sites se adequarem e portanto, somente os mais preparados permaneceram ativos. Vejam essas manchetes:

 

Em segundo lugar, vemos a mudança no perfil do usuário, que por sua vez, se divide em dois: aquele que Cria projetos e aquele que Financia projetos.

Com relação ao criador de projetos, vemos uma maior profissionalização das campanhas, dos pedidos e do próprio material de divulgação. Afinal, mesmo que se trate de uma campanha filantrópica, qualidade e boa apresentação fazem toda a diferença entre uma campanha bem ou mal sucedida.

Já em relação ao Financiador ou Doador de projetos, essa categoria tornou-se uma persona escassa, exigente, bem informada e desconfiada!

Sim… os erros do passado recente fizeram com que financiadores e doadores se tornassem mais cuidadosos ao abrirem suas carteiras. Até porque, ajudar é uma coisa, perder dinheiro é outra! Quem não se lembra desses casos:

“Caso Zebeleo pode prejudicar o mercado de crowdfunding” 

 

Não podemos esquecer igualmente que as plataformas de equity, que enchiam os olhos dos investidores early adopters, tiveram que mostrar seu valor e a que vieram. Depois de alguns anos, os empreendimentos começaram a ser questionados sobre retorno, liquidez, expansão e rentabilidade estimada. Quem apostou, e estava preparado, ganhou um bom dinheiro…

 

Claro que muitos investimentos em startups geraram perdas, que sem dúvida tornaram o apetite dos equity investors bem mais conservador, observando sempre a possibilidade de diluicao do risco e de eventual prejuízo. Some a tudo isso as regulamentações da CVM e temos um fogo amigo que apertou ainda mais o cinto das plataformas dessa natureza.

Contudo, mesmo diante desse quadro aparentemente desolador, ao observarmos o volume de projetos, de arrecadações e de investimentos nessa modalidade, vermos que, os últimos 3 meses, as plataformas tiveram um aumento de quase 5 vezes a oferta de projetos mundo afora. Veja:

Então, como explicar esse silêncio das mídias?

Simples! Profissionalização e seletividade foram as palavras chaves para o momento atual, o que, somado a permanência das pessoas em casa e ao uso mais intensivo das redes sociais e da consciência coletiva de que muitas entidades e pequenos negócios precisam de socorro imediato e local, tornaram as pessoas mais receptivas aos projetos, sem contudo abrir mão de algumas exigências que acabaram por tornar o setor mais seletivo, profissionalizado e, porque não, mais atraente?

Rodadas de investimento em startups da área de saúde e de monitoramento (gadgets e wereables) expandiram consideravelmente. Financiamento de empréstimos pessoais e para pequenas empresas em plataformas de lending estão aquecendo como nunca, ainda mais com a tão esperada onda do open banking chegando.

Projetos sociais se tornaram verdadeiras exposições de qualidade, com apresentações em HD, transparência de contas e acompanhamento quase em tempo real do uso dos recursos doados. Projetos culturais foram na onda e se tornaram essenciais para manter as pessoas envolvidas e engajadas com seus ídolos.

 

Ao final, vemos que o crowdfunding como conhecemos, que busquei desvendar com detalhes na obra Dinheiro da Multidao: oportunidades x burocracia no crowdfunding nacional, simplesmente não existe mais! A obra, única no Brasil no seu lançamento, não se tornou inútil… converteu-se em história!

Como já dizia o poeta: para compreender o presente e exercitar o futuro, é preciso conhecer o passado… curto, diga-se de passagem! Mas que não deixa de ser passado histórico e rico de aprendizados!

Essa obra teve apenas uma edição… e poucos foram os sortudos em conseguir, além da versão digital, uma linda cópia impressa do livro, para ter em sua biblioteca pessoal um pedacinho da história do que estava se tornando o mercado de financiamento pelo coletivo no Brasil…naquela época totalmente sem regulamentação e, por isso mesmo, bastante atrativo, lucrativo, e arriscado!

Na prática, tornou-se uma obra exclusiva! Nem de longe era esse o objetivo… mas que foi foi… e, como tudo que sabemos, é aquilo que compartilhamos, decidi guardar comigo apenas uma copia física. As poucas últimas disponibilizarei aos interessados, já que não irei produzir a segunda edição impressa! Raridades merecem ser lidas, absorvidas e guardadas… com dedicatória e tudo, a todos que as protegerem para o mercado futuro de financiamento coletivo!

Ou, como diz o mineiro: Quando cheguei aqui, era tudo mato!

Porém, um novo mercado de crowd se apresenta, muito mais maduro, robusto e consistente. O tempo, os valores envolvidos, as recompensas e os resultados dos projetos, tornou o setor mais cauteloso, menos espalhafatoso e consolidou-se como uma alternativa sólida e verdadeira de funding, seja em que tipo de projeto for… mas especialmente para aqueles negócios que, agora, precisam buscar alternativas para superar a crise presente!

Em tempos de vacas magras, todos buscam segurança: e com o dinheiro da multidão não se brinca! 

About viniciuscarneiro

Advogado, gestor contabil, escritor, especialista em Direito Empresarial, em Direito Eletronico, Controlador Geral Municipal,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *