Não adianta criar empregos, sem REQUALIFICAR as pessoas!

Não adianta criar empregos, sem REQUALIFICAR as pessoas!

Sempre que o assunto é desemprego, vozes e mais vozes se levantam que, com o aquecimento da economia, mais vagas formais serão criadas e, consequentemente, os desempregados serão realocados e as taxas atuais tendem a reduzir.

Porém, o que estamos vendo mundo afora, e aqui mesmo, é um movimento bem diferente! Afinal, como ja venho sinalizando em alguns artigos, as empresas que sobreviveram a crise, certamente otimizaram seus custos, aumentaram sua #informatização, e provavelmente irão produzir mais, com menos pessoas. Isso é um fato, não é visão pessimista nem teoria do caos.

Puxando um pouco da filosofia estoicista, precisamos ser mais realistas e menos saudosistas. As coisas são como são, aceitemos ou não! É óbvio que o mercado esta se remodelando para depender cada vez menos da mão de obra humana direta. No Brasil, robotizar ainda é caro, porque ainda dispomos de pouca industria desenvolvedora de robôs e sistemas. Mas isso é uma questão de tempo (e não são nem tanto anos assim)!

O que temos visto, em diversos setores da economia, é justamente um gargalo de recuperação do emprego, que dificilmente será consertado apenas com o aquecimento da economia: o problema da falta de qualificação.

Como no título, não adianta criar uma vaga de emprego, se quem está desempregado, não possui as qualificações mínimas necessárias para o posto de trabalho. E estamos falando de todos os níveis, desde os mais básicos aos mais especializados. Desde os altamente robotizaveis, aos mais intelectuais. Ninguém e nenhuma profissão esta imune a esse tsunami de requalificação ultra rápida, totalmente necessária.

Os princípios e conceitos da tão difundida #transformaçãodigital, colocaram o mercado de trabalho, de ambos os lados (empregadores e empregados) em cheque. Afinal: procuram-se profissionais diferenciados, multidisciplinares, multifuncionais, conectados, antenados, criativos, felizes, motivados, etc etc etc.

De outro lado, milhões e milhões de brasileiros se amontoam em filas intermináveis em frente a qualquer empresa que anuncie uma única vaga que seja, buscando desesperadamente deixar as trágicas taxas de mais de 12 milhões de pessoas sem emprego… alias, esse indice é o que os órgãos oficiais indicam. Particularmente, e por tudo que tenho lido, a taxa efetiva de desocupados no pais ultrapassa os 40 milhões de pessoas! E isso não é um entendimento apenas meu, como esta matéria do Infomoney.

Diante desses dois cenários, fica a pergunta: porque existem tantas vagas, tantos desempregados, mas um não completa o outro? Uma reportagem do Estadão traz informações interessantes sobre esse fenômeno.

A perspectiva é que, no ritmo atual de “desencaixe de mercado”, chegaremos em 2030 com quase 6 milhões de vagas criadas, em aberto, e sem profissionais para preenche-las! Isso sim, deveria ser considerado o caos, o fim dos tempos e o pior dos mundos. Afinal, pior do que não ter emprego, é ter vaga e não poder preenche-la porque não se está apto a desempenhar o que ela demanda! Isso acaba se convertendo em uma corrente coletiva de incapacidade, ja que, no fim das contas, a incapacidade em dominar um determinado conhecimento é de responsabilidade daquele que almeja a vaga, certo? Ou será que não?

A dualidade conflitante dessa realidade deveria nos incomodar mais do que tudo nos dias atuais. Os índices só crescem. Os dados da economia são modestos, e, novamente, mesmo que cresçam, não ha nenhuma relação objetiva direta entre esse crescimento com a volta do pleno emprego. Afinal, sem a mão de obra especializada necessaria, as empresas não podem faturar mais, nem ampliar a produção, nem crescer e nem atender os pedidos. Ou seja: fluxo travado em razão da falta de empregados qualificados, em um país de desempregados!

A matéria traz um gráfico bastante interessante que relaciona a transformação digital e a carência de mão de obra, ja que o impulso da primeira é muito mais dinâmico e rápido do que a capacidade da segunda em se desenvolver e se adequar a demanda.

Outro ponto importante esta justamente no reduzido numero de profissionais que formamos anualmente, nas novas áreas do conhecimento, ligados, obviamente, ao setor de software, sistemas e afins. Para se ter uma ideia, o Brasil forma, anualmente, mais de 88.000 potenciais advogados. Ja analistas de dados, por exemplo, altamente demandados pelas empresas e setores da nova economia, o Brasil sequer tem uma graduação formal reconhecida pelo MEC… ou seja: estamos muito mais atrasados do que pensamos.

Alguns estudiosos insistem em bater na mesma tecla: que a tecnologia e a informatização irão gera mais emprego do que retirar. E eu concordo, em partes! Afinal, o problema não está nas vagas que serão criadas (como vemos acima) mas com as que serão rapidamente extintas e, queiramos ou não, todos os potenciais desempregados de mais de 85% das profissões que existem hoje, ficarão sem recursos para minimamente as 3 refeições diárias. Acho bastante curioso quando defendem que não ha necessidade de pânico, pois os empregos “surgirão”… mas a questão é que estamos olhando o problema sob a lente e foco errados:

A duvida crucial é: quanto tempo uma pessoa em uma profissão atual, que sera extinta pela exigência tecnológica ou de requalificação, ficara desempregada, em um efeito cascata com milhões de outros desempregados, ate que uma nova vaga seja criada para ele, pela tecnologia, sem que ele tenha sido minimamente requalificado para essa nova vaga? E mais: quem garante que a nova vaga não poderá ser preenchida por uma maquina inteligente, e que o ciclo de substituicoes e reposicoes de mão de obra fique cada vez mais lento e impraticável?

O desafio do século 21 esta longe de ser apenas a questão das maquinas substituindo ou não humanos. A essência é mais profunda e complexa: sem REQUALIFICAÇAO, não se recupera emprego em uma era digital dinâmica e de transformação digital intensa e sem precedentes na historia humana. Somos adaptáveis, sem duvida: mas tudo depende de tempo, recursos disponíveis, mente ocupada, comida na mesa e ferramentas de recapacitação disponíveis e acessíveis.

O processo todo passa por uma mudança sistêmica de hábitos e conceitos. As famílias estão tendo cada vez menos filhos; estamos vivendo mais; estamos ficando mais tempo no mercado de trabalho; queremos estilos de vida cada vez mais custosos, ao meio ambiente e as finanças. A conta não fecha… e as vagas que surgem, não sao preenchidas… e o desemprego não diminui. Matematicamente, simples assim!

Observando tudo isso, ao longo dos anos e de todos os processos tecnológicos que participei e apoiei, conclui que a melhor forma de reduzir esse impacto na vida das pessoas, é justamente criar a todos os potenciais “futuros e atuais desempregados” um método de redirecionamento, de requalificação e de re-treinar suas capacidades profissionais, cognitivas e culturais.

Todas as frentes de atuação do método, para reabilitar a empregabilidade das pessoas e transforma-las em RETRAINED WORKERS, tem como base 5 áreas do conhecimento, estruturados na sociedade de transformação digital que vivemos, sob a denominação de L.L.IN.T.T.

Na informatica, quando se aplica um comando LINT, em síntese é uma ordem para que o sistema rastreie eventuais falhas dentro de seu código fonte, buscando inconsistências ou frentes da programação que possam causar travas de funcionamento. Na pratica, é um recurso precioso e que, bem aplicado, pode redesenhar totalmente a arquitetura de software, tornando-o mais atraente para o mercado.

Assim, desenvolvi uma ampliação do método LINT da analise de sistemas, para o método L.L.IN.T.T. de transformação digital, onde cada frente de desempenho se compõe dos seguintes passos:

L – Learning (capacidade de aprender a aprender, todos os dias, a cada nova área de conhecimento que surge, muitas vezes totalmente fora da sua zona de conforto)

L – Legal (as pessoas, assim como as empresas, nao podem se redesenhar para o mercado sem compreender e seguir minimamente as leis que regem esses mercados, o famoso “compliance” em suas areas de atuacao. Quanto mais voce domina as “regras” do seu setor, mais desejado voce sera a ocupar um determinado cargo)

IN – INovation (inovar é a palavra da moda, e nao raras as entrevistas de emprego querem saber se o candidato é criativo, inovador e se tem capacidade de se renovar a cada ciclo da empresa. Porem, poucos dizem ou entendem que, inovacao não é para genios… é para o que sabem observar o que ja acontece a sua volta e melhorar esses resultados)

T – Technology (no seculo 21, saber usar as ferramentas tecnologicas disponiveis é imprescindivel a qualquer profissao, de qualquer mercado, em qualquer posto, especialmente se voce precisa se recolocar rapidamente – e com isso voltamos ao primeiro “L” do learning: aprender, aprender, aprender)

T – Trainning (estudar, entender as regras, inovar e usar a tecnologia nao servem de nada se voce nao treinar, treinar, treinar e treinar novamente. O principio da aprendizagem validada, o desenvolvimento – implementacao – teste são a base que sedimenta, estrutura e requalifica as pessoas a cada novo ciclo, seja tecnologico, empresarial, de emprego ou de mercado)

Ao final, fica a constatação: sem #requalificação não existe #recolocação! Talvez a crise de empregos e trabalho não seja tão grande… mas que ela existe, ela existe, e se não nos adaptarmos, ela tornara cada um de nos, dia a dia, cada vez menos necessários aos altos postos de trabalho.

About viniciuscarneiro

Advogado, gestor contabil, escritor, especialista em Direito Empresarial, em Direito Eletronico, Controlador Geral Municipal,

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